1 de ago de 2009

Abandone tudo e você ganha tudo

Pergunta: Qual é seu estado no momento presente?

Maharaj: Um estado de não-experimentação. Nele toda experiência está incluída.

P: Você pode entrar na mente e no coração de outro homem e compartilhar sua experiência?

M: Não. Tais coisas requerem treinamento especial. Sou como um comerciante de trigo. Sei pouco sobre pães e bolos. Posso mesmo não conhecer o gosto de um papa de trigo. Mas sobre o grão de trigo sei tudo e o sei bem. Eu conheço a fonte de toda experiência. Mas as inumeráveis formas particulares que a experiência pode tomar eu não conheço. Nem tenho necessidade de conhecer. De momento a momento o pouco que necessito saber para viver minha vida, de algum modo, acontece que o sei.

P: Sua particular existência e minha existência particular, existem ambas na mente de Brahma?

M: O universal não é consciente do particular. A existência como uma pessoa é um assunto pessoal. Uma pessoa existe no tempo e no espaço, tem nome e forma, início e fim; o universal inclui todas as pessoas e o absoluto é a raiz de tudo e está além de tudo.

P: Não estou interessado na totalidade. Minha consciência pessoal e sua consciência pessoal qual elo entre as duas?

M: Qual pode ser o elo entre dois sonhadores?

P: Podem sonhar um com o outro.

M: Isto é o que as pessoas estão fazendo. Todos imaginam os ‘outros’ e buscam ligação com eles. O buscador é o elo, não há nenhum outro.

P: Seguramente deve haver algo em comum entre os muitos pontos de consciência que nós somos.

M: Onde estão os muitos pontos? Em sua mente. Você insiste que o mundo é independente de sua mente. Como pode sê-lo. Seu desejo de conhecer a mente de outras pessoas deve-se ao desconhecimento de sua própria mente. Em primeiro lugar conheça sua própria mente e descobrirá que a questão de outras mentes não surgirá de forma alguma porque não existem outras pessoas. Você é o fator comum, a única ligação entre as mentes. Ser é consciência; ‘eu sou’ aplica-se a todos.

P: A realidade suprema (Parabrahman) pode estar presente em todos nós. Mas qual a utilidade para nós.

M: Você é como um homem que diz: ‘Necessito de um lugar onde guardar minhas coisas, mas qual a utilidade do espaço para mim?’ ou ‘Preciso de leite, chá, café ou soda, mas para água não tenho nenhuma aplicação. Você não vê que a suprema realidade é a que faz tudo possível? Mas se você pergunta qual a utilidade que tem para você, devo responder: ‘Nenhuma’. Nos assuntos da vida cotidiana o conhecedor do real não tem vantagem alguma: Pode ser mesmo uma desvantagem. Estando livre de desejo e temor, não se protege. A própria idéia de proveito é estranha a ele; detesta acumulação; sua vida é constante despojar-se, compartilhar, dar.

P: Se não há nenhuma vantagem em ganhar o supremo, porque dar-se ao transtorno?

M: Há transtorno apenas quando você se apega a algo. Quando você não se apega a nada, não surge nenhum transtorno. O abandono do menor é a obtenção do maior. Abandone tudo e você ganha tudo. Então a vida se torna o que ela devia ser: pura radiação de uma fonte inesgotável. Nessa luz, o mundo aparece de modo turvo como um sonho.

P: Se meu mundo é meramente um sonho e você é uma parte dele, o que você pode fazer por mim? Se o sonho não é real, se não tem ser nenhum, como pode a realidade afetá-lo?

M: Enquanto dura o sonho tem um ser temporário. É seu desejo de apegar-se a ele que cria o problema. Deixe-o ir. Pare de imaginar que o sonho é seu.

P: Você pode admitir como certo que pode haver um sonho sem um sonhador e que me identifico como o sonho de minha própria doce vontade. Mas sou sonhador e também o sonho. Quem vai deixar de sonhar?

M:
Deixe que o sonho se desdobre até seu próprio fim. Você não pode concertá-lo. Mas você pode ver o sonho como um sonho, negar-lhe o selo de realidade.

P: Estou aqui, sentado diante de você. Estou sonhando e você está observando-me falar de meu sonho. Qual a ligação entre nós?

M: Minha intenção de acordá-lo é a ligação. Meu coração quer que você desperte. Vejo o sofrer em seu sonho e sei que você deve despertar para acabar com suas angustias. Quando você vê seu sonho como sonho, você desperta. Não estou interessado em seu próprio sonho. É suficiente pra mim saber que você deve despertar. Não precisa levar seu sonho a uma conclusão definida, ou torná-lo nobre, ou feliz, ou belo: tudo que você necessita é compreender que você está sonhando. Pare de imaginar, pare de acreditar. Veja as contradições, as incongruências, a falsidade e a aflição do estado humano, a necessidade de ir além. Dentro da imensidade do espaço flutua o minúsculo átomo de consciência e nele o universo inteiro está contido.

Eu Sou Aquilo - Conversações com Nisargadatta Maharaj

27 de jul de 2009

A Experiência Psicodélica

Seguindo o modelo tibetano, distinguimos três fases da experiência psicodélica. O primeiro período (Chikhai Bardo) é o da transcendência completa – além das palavras, além do espaço-tempo, além do self. Não há visões, nem sentido do self, nem pensamentos. Há apenas consciência pura e liberdade extasiante de quaisquer envolvimentos com jogos (e biológicos).
[“Jogos” são seqüências comportamentais definidas por papeis, regras, rituais, objetivos, estratégias, valores, linguagem, lugares característicos no espaço-tempo e padrões característicos de movimento. Qualquer comportamento que não tenha estes nove fatores é um não-jogo: isto inclui reflexos fisiológicos, ações espontâneas, e consciência transcendente.]

O segundo grande período envolve o self, ou jogo realidade exterior (Chonyid Bardo) – numa claridade aguda ou na forma de alucinações (aparições cármicas). O período final (Sidpa Bardo) envolve o retorno ao jogo realidade rotineiro e ao self. Para a maioria das pessoas o segundo estágio (estético ou alucinatório) é o mais longo. Para os iniciados, o primeiro estágio de iluminação dura mais. Para os despreparados, os heavy game players[3], aqueles que se agarram angustiadamente a seus egos, e para aqueles que tomam a droga num cenário não-apropriado, a luta para voltar à realidade começa cedo e normalmente dura até o fim da sessão.(...)

Eis uma lista das sensações físicas comumente relatadas: 1. Pressão corporal, que os tibetanos chamam de terra-se-desfazendo-em-água; 2. Frio úmido, seguido por calor febril, o que os tibetanos chamam de água-se-desfazendo-em-fogo; 3. Desintegração do corpo ou a sua dispersão em átomos, chamada fogo-se-desfazendo-em-ar; 4. Pressão na cabeça e nos ouvidos, que os americanos chamam de foguete-sendo-lançado-ao-espaço; 5. Formigamento nas extremidades; 6. Sensação de como se o corpo estivesse derretendo ou escorrendo como cera; 7. Náusea; 8. Tremor, começando na região pélvica e se espalhando para o tronco.
As reações físicas devem ser reconhecidas como sinais indicativos da transcendência. Evite tratá-las como sintomas de doença, aceite-as, una-se a elas, aproveite-as.


A Experiência Psicodélica - Um manual baseado no Livro Tibetano dos Mortos - Timothy Leary


24 de jul de 2009

Uma Estranha Realidade

“Meu benfeitor dizia que, quando um homem toma os caminhos da feitiçaria, torna-se consciente, aos poucos, de que a vida comum ficou para trás; que o conhecimento é na verdade uma coisa assustadora; que os meios do mundo comum não são mais um escudo para ele; e que tem de adotar um novo modo de vida, para poder sobreviver. A primeira coisa que ele deve fazer, nesse ponto, é desejar tornar-se um guerreiro, um passo e uma decisão muito importantes. A natureza assustadora do conhecimento não nos deixa nenhuma alternativa se não tornarmos um guerreiro.

“Quando o conhecimento se torna uma coisa assustadora, o homem também compreende que a morte é o companheiro insubstituível, que se senta ao lado dele na esteira. Cada pouquinho de conhecimento que se torna poder tem a morte como sua força central. A morte dá o último toque, e o que for tocado pela morte torna-se realmente poder.

“Um homem que segue os caminhos da feitiçaria se defronta com uma aniquilação iminente a cada passo do caminho, e é inevitável que tome fortemente consciência de sua morte. Sem a consciência da morte, ele seria apenas um homem comum, praticando atos comuns. Não teria a necessária potência, a necessária concentração que transforma o tempo comum da pessoa na Terra num poder mágico.

“Assim, para ser um guerreiro o homem tem de estar, antes de tudo, e propriamente, muito consciente de sua própria morte. Mas a preocupação com a morte levaria qualquer um de nós a focalizar a atenção em si e isso seria debilitante. Portanto, a segunda coisa de que se precisa para ser um guerreiro é o desprendimento. A idéia da morte iminente, em vez de se tornar uma obsessão, torna-se uma indiferença.” (...)

- Agora você precisa desprender-se – disse ele.
- Do quê?
- Desprender-se de tudo.
- Isso é impossível. Não quero virar ermitão.
- Ser um ermitão é uma indulgência e eu não quis dizer isso. Um ermitão não é desprendido, pois se entrega propositalmente a ser um ermitão.
- Somente a idéia da morte torna o homem suficientemente desprendido para ser capaz de se entregar a qualquer coisa. Um homem assim, porém, não tem anseios, pois adquiriu um amor calado pela vida e por todas as coisas da vida. Sabe que a morte o acompanha e não lhe dará tempo de se agarrar a nada, de modo que ele experimenta, sem ansiar, tudo de todas as coisas.

“Um homem desprendido, que sabe que não tem possibilidade de evitar sua morte, só tem uma coisa em que se apoiar: o poder de suas decisões. Ele tem de ser, por assim dizer, o senhor de suas opções. Deve compreender plenamente que sua opção é sua responsabilidade, e, uma vez feita, não há mais tempo para remorsos ou recriminações. Suas decisões são finais, simplesmente porque sua morte não lhes permite tempo para se agarrar a nada.

E assim, com a consciência de sua morte, com seu desprendimento e com o poder de suas decisões, um guerreiro organiza sua vida de maneira estratégica. O conhecimento de sua morte o orienta e o torna desprendido e secretamente sensual; o poder de suas decisões finais o torna capaz de escolher sem remorsos, e que ele escolhe é sempre estrategicamente o melhor; e assim ele executa tudo aquilo de que precisa com vontade e uma eficiência sensual.

Quando um homem procede dessa maneira, pode-se dizer com segurança que ele é um guerreiro e adquiriu a paciência.” (...)

- Quando um guerreiro consegue a paciência, está a caminho da vontade. Sabe esperar. Sua morte senta-se com ele em sua esteira, eles são amigos. Sua morte o aconselha, de maneira misteriosa, a optar, a viver estrategicamente. E o guerreiro espera! Eu diria que o guerreiro aprende sem pressa alguma porque ele sabe que está esperando sua vontade; e um dia consegue realizar alguma coisa que normalmente impossível. Pode nem notar seu feito extraordinário. Mas, à medida que continuar a realizar coisas impossíveis, ou coisas impossíveis lhe forem acontecendo, ele percebe que uma espécie de poder está surgindo. Um poder que emana de seu corpo enquanto ele progride no caminho do conhecimento.

Uma Estranha Realidade - Carlos Castaneda

21 de abr de 2009

A verdade existe aqui e agora

Pergunta: Senhor, se você dissesse: nada é verdadeiro, tudo é relativo, eu concordaria com você. Mas você afirma que há uma verdade, uma realidade, o conhecimento perfeito, portanto pergunto: o que é isto e como você o conhece? O que me fará dizer: sim, o Maharaj está certo?

Maharaj: Você está se aferrando à necessidade de uma prova, um testemunho, uma autoridade. Você continua imaginando que a verdade necessita ser apontada e que digam a você: “olhe, aqui está a verdade”. Não é assim. A verdade não é o resultado de um esforço, o fim de um caminho. Está aqui e agora, no próprio anseio e em sua busca. Ela está mais próxima que o corpo e que a mente, mais perto que o sentido “eu sou”. Você não a vê porque olha para muito longe de si mesmo, para fora de seu ser mais íntimo. Você objetivou a verdade e insiste em sua provas e testes esteriotipados que só se aplicam à coisas e pensamentos.

P: Tudo o que eu posso comprovar do que você diz é que a verdade está além de mim e que não estou qualificado para falar sobre ela.

M: Não só está qualificado como você é a própria verdade. Apenas você confunde o falso com o verdadeiro.

P: Você parece dizer: não peça provas da verdade. Preocupe-se apenas com o falso.

M: A descoberta da verdade está no discernimento do falso. Você pode conhecer o que não é. O que é você apenas pode ser. O conhecimento é relativo ao conhecido. De certo modo ele é a contraparte da ignorância. Onde não há ignorância, onde está a necessidade de conhecimento? Por si mesmos nem ignorância nem conhecimento têm ser. Eles são apenas estados da mente, os quais novamente são apenas uma aparência de movimento na consciência, a qual é, em sua essência, imutável.

P: A verdade está dentro do âmbito da mente ou além?

M: Em nenhum dos dois, e em ambos. Não pode ser posta em palavras.

P: Isto é o que eu ouço todo o tempo o inexpressável (anirvachaniya). Isto não me faz mais sábio.

M: É verdade que, às vezes, esconde uma pura ignorância. A mente, pode operar com termos de sua própria fabricação, não pode simplesmente ir além de si mesma. Aquilo que não é sensório nem mental, e sem o qual, mesmo assim, não podem existir nem o sensório nem o mental, não pode estar contidos neles. Entenda que a mente tem seus limites; para ir além, você deve permitir o silêncio.

P: Podemos dizer que a ação é a prova da verdade? Ela pode não ser verbalizada, mas pode ser mostrada.

M: Nem ação nem inação. Ela está além de ambas.

P: Pode um homem dizer alguma vez: “Sim, isto é verdadeiro”? Ou está limitado a negar o falso? Em outras palavras, é a verdade pura negação? Ou chega um momento em que se torna afirmação?

M: A verdade não pode ser descrita, mas pode ser experimentada.

P: A experiência é subjetiva, não pode ser compartilhada. Suas experiências me deixam onde estou.

M: A verdade pode ser experimentada, mas não é uma mera experiência. Eu a conheço e posso transmiti-la, mas apenas se você está aberto a ela. Estar aberto significa não querer nada mais.

P: Estou cheio de desejos e temores. Significa que não sou elegível para a verdade?

M: A verdade não é uma recompensa por bom comportamento nem um prêmio por passar em alguns exames. Ela não pode ser produzida. É primária, é inata, a antiga origem de tudo que é. Você é elegível porque você é. Você não precisa merecer a verdade. Ela é sua. Apenas pare de afastar-se por perseguí-la. Permaneça imóvel, esteja tranqüilo.

Eu Sou Aquilo
Conversações com Nisargadatta Maharaj



4 de fev de 2009

Espreita, Intenção e Posição de Sonho

No dia seguinte, novamente ao anoitecer, Don Juan veio ao aposento onde eu estava conversando com Genaro. Segurou-me pelo braço e dirigiu-me através da casa para o pátio dos fundos. Já bastante escuro. Começamos a caminhar pelo corredor que rodeava o pátio.
Enquanto caminhávamos, Don Juan disse-me que desejava prevenir-me mais uma vez de que é muito fácil, no caminho do conhecimento, perder-se na confusão e na morbidez. Disse que os videntes defrontam-se com grandes inimigos que podem destruir seu propósito, minar seus objetivos e torná-los fracos; inimigos criados pelo próprio caminho do guerreiro juntamente com as sensações de indolência, preguiça e vaidade que são partes integrantes de nosso mundo diário. Observou que os enganos que os antigos videntes cometeram como resultado de indolência, preguiça e vaidade eram tão grandes, tão graves, que os novos videntes não tiveram escolha senão maldizer e rejeitar sua própria tradição.
-A coisa mais importante que os novos videntes precisavam - continuou Dom Juan - eram passos práticos para deslocar seus pontos de aglutinação. Como não tinham nenhum, começaram a desenvolver um intenso interesse por ver o brilho da consciência, e assim desenvolveram três conjuntos de técnicas que se tornaram sua pedra angular.
Dom Juan disse que, com esses três conjuntos, os novos videntes executaram um feito extraordinário e difícil. Conseguiram fazer o ponto de aglutinação deslocar-se sistematicamente de sua posição costumeira. Reconheceu que os antigos videntes também haviam realizado esse feito, mas por meio de manobras caprichosas, idiossincráticas.
Explicou que a visão que os novos videntes tiveram do brilho da consciência resultou na seqüência em que organizaram as verdades dos antigos videntes sobre a consciência. A partir daí, desenvolveram os três conjuntos de técnicas. O primeiro é o domínio da espreita, o segundo, o domínio da intenção, e o terceiro o domínio do sonho. Insistiu que me ensinava esses três conjuntos desde o primeiro dia que nos conhecemos.
Disse-me que havia ensinado o domínio da consciência de dois modos, exatamente como os novos videntes recomendam. Em seus ensinamentos para o lado direito, ministrados durante minha consciência normal, atingiu dois objetivos: ensinou-me o caminho do guerreiro e afrouxou meu ponto de aglutinação de sua posição original. Em seus ensinamentos para o lado esquerdo, ministrados enquanto eu me encontrava em consciência intensificada, também atingiu dois objetivos: fez meu ponto de aglutinação deslocar-se para tantas posições quantas fui capaz de sustentar, e deu-me uma longa série de explicações.

Dom Juan parou de falar, o olhou-me fixamente. Houve um silêncio desajeitado; então começou a falar sobre a espreita. Disse que a espreita teve origens muito humildes e acidentais. Partiu da observação feita pelos novos videntes de que, quando os guerreiros se comportam por algum tempo de modo fora do habitual, as emanações não são usadas no interior de seus casulos começam a brilhar. E seus pontos de aglutinação se deslocam de maneira suave, harmoniosa, muito pouco perceptível.

Estimulados por essa observação, os novos videntes começaram a praticar o controle sistemático do comportamento. Chamaram a essa prática arte da espreita. Dom Juan comentou que, embora discordasse do nome, ele era apropriado, por que a espreita envolvia um tipo específico de comportamento diante das pessoas, um comportamento que poderia ser categorizado como sub-reptício.

Os novos videntes, armados com essa técnica, sondaram o conhecido de uma maneira sóbria e frutífera. Pela prática contínua, fizeram seus pontos de aglutinação se deslocar constantemente.

-A espreita é uma das maiores realizações dos novos videntes. Eles decidiram que deveria ser ensinada ao nagual dos dias modernos quando seu ponto de aglutinação já tivesse deslocado bem profundamente para o lado esquerdo. O motivo desta decisão é que um nagual precisa aprender os princípios da espreita sem o incomodo do inventário humano. Afinal, o nagual é o líder de um grupo, e para lidera-lo deve agir rapidamente, sem ter que pensar primeiro.

“Outros guerreiros podem aprender a espreitar em sua consciência normal, embora seja aconselhável que o façam em consciência intensificada...não tanto por causa do valor da consciência intensificada, mas porque isto imbui a espreita de um mistério que ela na verdade não possui; espreitar é meramente um comportamento diante das pessoas.”

Disse que ainda que eu podia agora compreender que mudar o ponto de aglutinação era a razão pela qual os novos videntes atribuíam um valor tão alto à interação com os pequenos tiranos.
Os pequenos tiranos forçavam os videntes a usar os princípios da espreita e, ao fazê-lo, ajudavam-nos a deslocar seus pontos de aglutinação.

Perguntei-lhe se os antigos videntes sabiam alguma coisa sobre os princípios da espreita.

-A espreita foi desenvolvida exclusivamente pelos novos videntes – falou, sorrindo. – São os únicos videntes que tiveram que lidar com pessoas. Os antigos videntes estavam tão enredados em seu sentido de poder que só foram perceber que as pessoas existiam quando elas começaram a bater-lhes nas cabeças. Mas você já sabe de tudo isso.

Dom Juan disse em seguida que o domínio da intenção, juntamente com o domínio da espreita são duas obras primas dos novos videntes, que marcam o advento dos videntes dos dias de hoje. Explicou que em seus esforços para obter uma vantagem sobre os opressores os novos videntes perseguiam cada possibilidade. Sabiam que seus predecessores haviam executado feitos extraordinários, manipulando uma força misteriosa e miraculosa que só podiam descrever como poder. Os novos videntes tinham muito pouca informação sobre essa força, de modo que foram obrigados a examiná-la sistematicamente através da visão. Seus esforços foram amplamente recompensados quando descobriram que a energia de alinhamento é essa força.

Começaram por ver como o brilho da consciência aumenta em tamanho e intensidade quando as emanações no interior do casulo são alinhadas com as emanações livres. Usaram essa observação como trampolim, exatamente como haviam feito com a espreita, e passaram a desenvolver uma complexa série de técnicas para manejar esse alinhamento de emanações.

Inicialmente, referiam-se a essas técnicas como o domínio do alinhamento. Perceberam então que o que estava em jogo era muito mais do que o alinhamento; era a energia produzida pelo alinhamento de emanações. A essa energia chamaram vontade. A vontade tornou-se a segunda base. Os novos videntes compreenderam-na como uma explosão cega, impessoal e incessante de energia que nos faz agir do modo como fazemos. A vontade responde por nossa percepção do mundo dos eventos comuns e, indiretamente, através da força dessa percepção, responde pela localização do ponto de aglutinação em sua posição costumeira.
Dom Juan disse que os novos videntes examinaram como tem lugar a percepção do mundo na vida cotidiana e viram os efeitos da vontade. Viram que o alinhamento é incessantemente renovado, de maneira a dar um sentido de continuidade à percepção. Para sempre renovar o alinhamento com o frescor de que este necessita para produzir um mundo vivo, a explosão de energia que sai desses mesmos alinhamentos é automaticamente redirecionada para reforçar alguns alinhamentos especiais.

Essa nova observação serviu aos novos videntes como outro trampolim, que os ajudou a atingir a terceira base do conjunto. Chamaram-na intenção, e descreveram-na como a orientação proposital da vontade, a energia do alinhamento.

-Silvio Manoel, Genaro e Vicente foram levados pelo nagual Julian a aprender esses três aspectos do conhecimento dos videntes. Genaro é o mestre da manipulação da consciência. Vicente o mestre da espreita, e Silvio Manoel o mestre da ‘intenção’.

“Vamos agora a um explicação final do domínio da consciência: é por isso que Genaro o está ajudando.”

Dom Juan falou às aprendizes mulheres por um longo tempo. Elas ouviam-no com expressões sérias em suas faces. Tive certeza de que ele estava dando instruções detalhadas sobre difíceis procedimentos, a julgar pela profunda concentração de todas.

Havia sido excluído de sua reunião, mas as observara enquanto conversavam na sala da frente da casa de Genaro. Sentei-me à mesa da cozinha, esperando até que terminassem. Então as mulheres levantaram-se para partir, mas antes de fazê-lo vieram à cozinha com Dom Juan. Ele sentou-se à minha frente, enquanto as mulheres falavam comigo com desajeitada formalidade. Na realidade, chegaram até mesmo a abraçar-me. Todas elas estavam incomumente amigáveis, e até mesmo loquazes. Disseram que iam juntar-se aos aprendizes homens, que haviam saído com Genaro horas antes. Genaro ia mostrar a todos o seu ‘corpo sonhador’.

Assim que as mulheres partira, Dom Juan retomou abruptamente sua explicação. Disse que a medida que o tempo passava e os novos videntes estabeleciam suas práticas, perceberam que, sob as condições prevalecentes da vida, espreitar desloca muito pouco os pontos de aglutinação. Para efeito máximo, a espreita necessitava de uma localização ideal: necessitava de pequenos tiranos em posições de grande autoridade e poder. Tornou-se cada vez mais difícil para os novos videntes se colocarem a si próprios em tais situações; a tarefa de improvisá-la ou procurá-la tornou-se um carga insuportável.

Os novos videntes julgaram imperativo ver as emanações da Águia para encontrar uma maneira mais adequada de deslocar o ponto de aglutinação. Quando tentaram ver as emanações, foram confrontados com um problema sério. Descobriram que não há maneira de ver as emanações sem correr um risco mortal, e no entanto tinham de vê-la. Essa foi a época em que usaram a técnica de sonhar dos antigos videntes como um escudo para proteger-se do golpe mortal das emanações da Águia. E, ao agir assim, perceberam que sonhar era na verdade o modo mais eficiente de deslocar o ponto de aglutinação.

-Um dos princípios mais estritos dos novos videntes – continuou Dom Juan – esta que os guerreiro têm de aprender a sonhar enquanto estão em seu estado normal de consciência. Seguindo este princípio, comecei a ensinar-lhe a sonhar praticamente desde o primeiro dia em que nos vimos.

-Porque os novos videntes determinaram que sonhar deve ser ensinado em consciência normal?

-Porque sonhar é muito perigoso, e os sonhadores muito vulneráveis. É perigoso porque tem um poder inconcebível; torna os sonhadores vulneráveis porque os deixa à mercê da força incompreensível do alinhamento.

“Os novos videntes perceberam que em nosso estado normal de consciência temos incontáveis defesas que podem resguardar-nos contra a força de emanações inusuais, que subitamente se alinham durante o sonho.

Dom Juan explicou que sonhar, assim como espreitar, começava como uma simples observação. Os antigos videntes tiveram consciência de que nos sonhos o ponto de aglutinação se desloca ligeiramente para a esquerda, de maneira natural. Com efeito, o ponto de aglutinação relaxa quando o homem dorme, e todos os tipos de emanações inusuais começam a brilhar.

Os antigos videntes ficaram imediatamente intrigados com esta observação e começaram a trabalhar com esse deslocamento natural até se tornarem capazes de controlá-lo. Chamaram esse controle de sonhar, ou a arte de manejar o corpo sonhador.

Observou que não há maneira de descrever a imensidão do conhecimento dos antigos videntes sobre sonhar. Muito pouco deste, entretanto, teve qualquer utilidade para os novos videntes. Assim, quando chegou a tempo da reconstrução, os novos videntes observaram apenas os elementos essenciais de sonhar para ajudá-los a ver as emanações da Águia e a deslocar seus pontos de aglutinação.

Disse que os videntes, antigos e novos, compreendem sonhar como o controle do deslocamento natural que o ponto de aglutinação sofre durante o sono. Salientou que controlar essa mudança não quer dizer de modo algum dirigi-la, mas manter o ponto de aglutinação fixo na posição para onde se desloca naturalmente durante o sono, manobra extremamente difícil que exigiu enorme esforço e concentração dos antigos videntes.

Dom Juan explicou que os sonhadores precisam atingir um equilíbrio muito sutil, pois os sonhos não podem sofrer interferência, assim como não podem ser comandados pelo esforço consciente do sonhador. Por outro lado, o deslocamento dos pontos de aglutinação deve obedecer ao comando do sonhador – uma contradição que não deve ser racionalizada mas que precisa se resolvida na prática.

Após observarem os sonhadores enquanto dormiam, os antigos videntes encontraram a solução, deixando os sonhos seguirem seu curso natural. Tinham visto que, em alguns sonhos, o ponto de aglutinação do sonhador penetraria consideravelmente mais fundo no lado esquerdo do que em outros. Essa observação fê-los pensar se é o conteúdo do sonho que faz o ponto de aglutinação deslocar-se, ou se é o próprio movimento do ponto de aglutinação produz o conteúdo do sonho ao ativar emanações não utilizadas.

Logo perceberam que é o deslocamento do ponto de aglutinação para o lado esquerdo que produz os sonhos. Quanto mais amplo é o movimento, mais vívidos e bizarros eles são. Inevitavelmente, tentaram comandar seus sonhos, almejando fazer com que seus pontos de aglutinação se deslocassem mais profundamente para o lado esquerdo. Ao tentá-lo, descobriram que, quando os sonhos são manipulados consciente ou semi-conscientemente, o ponto de aglutinação retorna imediatamente ao seu lugar usual. Como desejavam que esse ponto se deslocasse, chegaram à inevitável conclusão de que interferir com os sonhos era interferir com o deslocamento natural do ponto de aglutinação.

Dom Juan disse que os antigos videntes continuaram desenvolvendo seu impressionante conhecimento sobre o assunto – um conhecimento que tinha um valor tremendo para que os novos vidente aspiravam fazer com o sonho, mas que lhes era de pouca utilidade em sua forma original.

Disse me que até ai eu tinha compreendido sonhar como sendo o controle dos sonhos, e que todos os exercícios que ele me havia proposto para executar, tais como encontrar minhas mãos em meus sonhos, não eram, embora pudesse parecer o contrário, destinados a ensinar-me a comandar meus sonhos. Aqueles exercícios destinavam-se a manter meu ponto de aglutinação fixo no lugar para qual se deslocara durante o sonho. É nesse ponto que os sonhadores devem atingir o equilíbrio sutil. Tudo o que podem dirigir é a fixação de seus pontos de aglutinação. Os videntes são como pescadores equipados com uma linha que se agarra em qualquer parte; a única coisa que podem fazer é manter a linha ancorada no ponto em que afunda.

-O lugar para onde o ponto de aglutinação se desloca nos sonhos é chamado de posição de sonho. continuou. – Os antigos videntes ficaram tão especializados em manter sua posição de sonho que eram até mesmo capazes de acordar enquanto seus pontos de aglutinação estavam ancorados ali.

“Devo esclarecer que sonhar tem um terrível obstáculo” continuou. “Pertence aos antigos videntes. Está impregnado de seu espírito. Fui muito cuidadoso ao guia-lo através disso, mas ainda assim não há maneira de estar seguro”.

-Sobre o que está me prevenindo, Dom Juan?

-Estou prevenindo-o sobre as ciladas de sonhar, que são verdadeiramente estupendas. No sonho não há realmente qualquer maneira de dirigir o deslocamento do ponto de aglutinação: a única coisa que dita essa mudança é a força ou a fraqueza interior dos sonhadores. Exatamente ai temos a primeira armadilha.

Castaneda - O Fogo Interior

NAGUALISMO

Em várias ocasiões Don Juan tentou, para o meu proveito, dar nome ao seu conhecimento. Ele sentia que o nome mais apropriado era nagualismo, mas que o termo era obscuro demais. Chamá-lo simplesmente “conhecimento” tornava-o vago, e chamá-lo de “bruxaria” seria rebaixá-lo. “A maestria do ‘intento’” era muito abstrata, e “a busca da liberdade total” longa demais e metafórica. Finalmente, por ser incapaz de encontrar um nome mais apropriado, chamou-o “feitiçaria”, embora admitisse não ser realmente adequado.
Através dos anos, deu-me diferentes definições de feitiçaria, mas sempre manteve que as definições mudam à medida que o conhecimento cresce. Perto do final de meu aprendizado, senti que estava em condição de apreciar uma definição mais clara, assim pedi-lhe mais uma vez.

-Do ponto de vista do homem comum – disse Dom Juan – a feitiçaria é bobagem ou um mistério agourento além de seu alcance. Ele está certo, não porque este seja um fato absoluto, mas porque ao homem comum falta energia para lidar com feitiçaria. – Parou por um momento antes de continuar: - Os seres humanos nascem com uma quantidade finita de energia – continuou -, uma energia que é sistematicamente desdobrada, começando no momento do nascimento, de modo que possa ser usada de modo mais vantajoso pela modalidade do tempo.


-O que quer dizer por modalidade do tempo? – perguntei.

-A modalidade do tempo é o feixe preciso de energia sendo percebido. Acredito que a percepção do homem mudou através das eras. O próprio tempo decide o modo; o tempo decide quais feixes precisos de campos de energias, dentre um número incalculável, devem ser usados. E manipular a modalidade do tempo...esses poucos e selecionados campos de energia... toma toda a nossa energia disponível, não nos deixando nada que nos ajude a usar qualquer dos outros campos de energia.

Eu permanecia atento a sua explanação.

Convidou-me com um leve movimento das sobrancelhas a considerar tudo isso.

-Isto é o que quero dizer quando afirmo que o homem comum não tem energia necessária para lidar com feitiçaria. Se usar apenas a energia que tem, não podem perceber os mundos que os feiticeiros percebem. Para fazê-o, os feiticeiros precisam usar um grupo de campos de energia não usado normalmente. Claro que, se o homem comum perceber esses mundos e compreender a percepção dos feiticeiros, deve se utilizar do mesmo grupo que esses usaram. E isto simplesmente não é possível, porque toda sua energia já está desdobrada.

-Fez uma pausa, como se preocupando pelas palavras apropriadas para demonstrar seu ponto de vista. – Pense dessa maneira. Não é que, à medida que o tempo passa, você esteja aprendendo feitiçaria; antes, o que está aprendendo é economizar energia. E essa energia irá capacitá-lo a manipular alguns dos campos de energia que lhe são agora inacessíveis. E isso é feitiçaria: a habilidade de usar campos de energia que não são empregados para perceber o mundo normal que conhecemos. Feitiçaria é um estado de consciência. Feitiçaria é a capacidade de perceber algo que a percepção comum não consegue.

“Tudo o que fiz você passar, cada uma das coisas que lhe mostrei era apenas um instrumento para convencê-lo de que há mais coisas do que olho pode perceber. Não necessitamos de ninguém para nos ensinar feitiçaria, porque de fato não há nada a aprender. O que necessitamos é de um professor para nos convencer de que há poder incalculável ao alcance de nossos dedos. Que paradoxo estranho! Cada guerreiro na trilha do conhecimento pensa, num momento ou noutro, que está aprendendo feitiçaria, mas tudo o que está fazendo é permitir a si mesmo ser convencido do poder oculto em seu ser, e que pode alcançá-lo.

-É isto que está fazendo, Dom Juan, convencendo-me?

-Isso mesmo. Estou tentando convencê-lo de que pode alcançar esse poder. Passei pela mesma coisa. E era tão difícil de ser convencido quanto você.

-Uma vez que o alcançamos, o que fazemos exatamente com ele, Dom Juan?

-Nada. Uma vez que o alcançamos, este irá, por si mesmo, fazer uso dos campos de energia que estão disponíveis para nós, embora inacessíveis. E isto, como eu disse, é feitiçaria. Começamos então a ver, isto é, perceber, algo mais; não como imaginação, mas como real e concreto. E então começamos a conhecer sem a necessidade de usar palavras. E o que cada um de nós faz com esta percepção aumentada, com aquele conhecimento silencioso, depende de nosso temperamento. (...)

O Poder do Silêncio – Carlos Castaneda

12 de jan de 2009

Espreita

"-A espreita é uma das duas maiores realizações dos novos videntes. Eles decidiram que deveria ser ensinada ao nagual dos dias modernos quando seu ponto de aglutinação já tivesse deslocado bem profundamente para o lado esquerdo. O motivo desta decisão é que um nagual precisa aprender os princípios da espreita sem o incômodo do inventário humano. Afinal, o nagual é o líder de um grupo, e para liderá-lo deve agir rapidamente, sem ter que pensar primeiro.

"Outros guerreiros podem aprender a espreitar em sua consciência normal, embora seja aconselhável que o façam em consciência intensificada...não tanto por causa do valor da consciência intensificada, mas porque isto imbui a espreita de um mistério que ela na verdade não possui; espreitar é meramente um comportamento diante das pessoas."
Disse ainda que eu podia agora compreender que mudar o ponto de aglutinação era a razão pela qual os novos videntes atribuíam um valor tão alto à interação com os pequenos tiranos. Os pequenos tiranos forçavam os videntes a usar os princípios da espreita e, ao fazê-lo, ajudavam-nos a deslocar seus pontos de aglutinação. .

Perguntei-lhe se os antigos videntes sabiam alguma coisa sobre os princípios da espreita.
- A espreita foi desenvolvida exclusivamente pelos novos videntes - falou, sorrindo. - São os únicos videntes que tiveram de lidar com pessoas. Os antigos estavam tão enredados em seu sentido de poder que só foram perceber que as pessoas existiam quando elas começaram a bater-lhes nas cabeças. Mas você já sabe de tudo isso.
Dom Juan disse em seguida que o domínio da intenção, juntamente com o domínio da espreita são as duas obras-primas dos novos videntes, que marcam o advento dos videntes dos dias de hoje."

O Fogo Interior

1. "O primeiro princípio da arte da espreita é que os guerreiros escolhem o campo de batalha. Um guerreiro nunca vai para a batalha sem saber o que o cerca.
2. Descartar tudo que não é necessário é o segundo princípio da arte da espreita. Um guerreiro não complica as coisas. Seu objetivo é ser simples.
3. Ele aplica toda a concentração que tem para decidir se entra ou não na batalha, pois qualquer batalha é uma batalha por sua vida. Este é o terceiro princípio da arte da espreita. Um guerreiro deve estar disposto e pronto para travar sua última batalha aqui e agora. Mas não de uma maneira descuidada.
4. Um guerreiro relaxa e se abandona; ele nada teme. Só então os poderes que guiam os seres humanos abrem o caminho para o guerreiro e o ajudam. Só então. Este é o quarto princípio da arte da espreita.
5. Quando diante de dificuldades com as quais não podem lidar, os guerreiros recuam por um momento. Eles deixam a mente vagar. Ocupam seu tempo com alguma outra coisa. Qualquer coisa serve. Este é o quinto princípio da arte da espreita.
6. Os guerreiros comprimem o tempo este é o sexto princípio da arte da espreita. Mesmo um instante conta. Numa batalha por sua vida, um segundo é uma eternidade, uma eternidade que pode decidir o resultado final. Os guerreiros visam ao sucesso, portanto comprimem o tempo. Os guerreiros não desperdiçam um só instante.
7. Para aplicara sétimo princípio da arte da espreita, é preciso aplicar os outros seis; um espreitador nunca se lança para a frente. Ele sempre olha para frente por detrás das cenas."

A Roda do Tempo - Carlos Castaneda


11 de jan de 2009

Magic Mushroom Grower's Guide

PSILOCYBIN
Magic Mushroom Grower's Guide - O.T. Oss and O.N. Oeric. (Dennis and Terence McKenna)

Plantas de los Dioses

Richard Evans Schultes
Albert Hofmann
Revisión: Christian Rälsch

PLANTAS DE LOS DIOSES - Las fuerzas mágicas de las plantas alucinógenas

Cuando más penetras el mundo de teonanácatl, más cosas se ven y miras nuestro pasado y nustro futuro como una sola cosa que ya se llevó a cabo, que ya sucedió (...) Veo caballos robados y ciudades enterradas cuya existencia es desconovida y que están a punto de salir a la luz.
Veo y sé millones de cosas. Conozco y veo a Dios: un inmenso reloj que palpita, esferas que giran alrededor y adentro de las estrellas, la tierra, el universo entero, el día y la noche, el llanto y la sonrisa, la felicidad y el dolor.
El que conove hasta su fin el secreto de teonanácatl puede ver esa infinita maquinaria de reloj.

María Sabina

8 de jan de 2009

Os links para download disponíveis no site são exclusivamente para pesquisa e visualização virtual, sendo proibido a reprodução para fíns comerciais.

O Alimento dos Deuses - Terence McKenna

O Alimento dos Deuses - Terence McKenna

6 de jan de 2009

Planejando uma Sessão - Timothy Leary


Tendo lido esse manual preparatório, uma pessoa pode imediatamente reconhecer os sintomas e experiências que podem de alguma forma ser amedrontadoras, apenas pela falta de entendimento. O reconhecimento é a palavra chave. Reconhecer e localizar o nível de consciência. Esse livro guia pode também ser usado para evitar as viagens paranóicas ou para reganhar a transcendência se ela foi perdida. Se a experiência começa com luz, paz, unidade mística, entendimento e continua por esse padrão, então não há necessidade de se lembrar do manual ou tê-lo relido para ti. Como um mapa de estradas, consulte-o apenas quando sentir-se perdido ou quando quiseres mudar o curso.

Tenha Objetivos

O Hinduísmo clássico sugere 4 objetivos possíveis:

1. Crescimento do poder pessoal, entendimento intelectual, insight nítido dentro de si e da cultura, melhora da situação de vida, aprendizado acelerado e crescimento profissional.

2. Dever, ajudar ao próximo, prover cuidado, reabilitação, renascimento para companheiros.

3. Diversão, gozo sensorial, prazer estético, proximidade interpessoal, experiência pura.

4. Transcendência, liberação do ego e dos limites de espaço-tempo; atingimento da união mística.

A primeira ênfase do manual no último objetivo não impossibilita os outros — na verdade, garante seu atingimento porque a iluminação requer que a pessoa esteja hábil a ultrapassar os problemas de personalidade, papel e status
profissional. O iniciante pode decidir de antemão a devotar sua experiência psicodélica a qualquer um dos 4 objetivos.

Na experiência extrovertida transcendental, o “self” é extasiantemente fundido com os objetos externos, como flores ou outras pessoas. No estado introvertido, o “self” é extasiantemente fundido com os processos internos de vida — luzes, ondas de energia, eventos corporais, formas biológicas. Cada estado pode ser negativo ao invés de positivo, dependendo da preparação individual e do ambiente.

Para a experiência extrovertida, a pessoa deve trazer velas, fotos, livros, incensos, música ou passagens gravadas para guiar a percepção na direção desejada. Uma experiência introvertida requer a eliminação de qualquer estimulo — sem luz, sem som, sem cheiro, sem movimento.

Se muitas pessoas estão na sessão juntos, eles devem pelo menos estar conscientes dos objetivos de cada um. Manipulações inesperadas e indesejadas podem facilmente se tornar armadilhas para os outros viajantes em delusões

paranóicas.


Preparação

Químicos psicodélicos não são drogas no senso usual da palavra. Não há uma reação somática ou psicológica específica. Quanto melhor é a preparação, mais extasiante e reveladora é a sessão. Nas sessões iniciais com pessoas despreparadas, preparação pessoal e ambientação — particularmente as ações alheias — são mais importantes.
A preparação pessoal se refere à história pessoal, tolerância da personalidade, ao tipo de pessoa que você é. Seus medos, seus desejos, seus conflitos, culpas, paixões secretas, determinam como você interpreta e manuseia qualquer experiência psicodélica.

Talvez o mais importante sejam os mecanismos de reflexo, as defesas, manobras protetoras tipicamente empregadas quando lidando com a ansiedade. A flexibilidade, a confiança básica, a fé filosófica, a coragem, o calor interpessoal, a criatividade a permissão para a diversão e o fácil aprendizado. A rigidez, desejo de controle, desconfiança, cinismo, covardia, frieza e a limitação fazem qualquer situação ser ameaçadora.

O mais importante é o insight. A pessoa que tem qualquer entendimento de sua própria máquina, que pode reconhecer quando está ou não funcionando como deseja é mais hábil a adaptar-se a qualquer novo desafio — até o colapso abrupto de seu próprio ego.


Preparação Imediata

A preparação imediata se refere às expectativas sobre a sessão por si só.
As pessoas naturalmente tendem a impor suas perspectivas pessoais e sociais em qualquer nova situação. Por exemplo, alguns sujeitos doentes e preparados inconscientemente impõem um modelo médico na experiência. Eles procuram

sintomas, interpretam cada nova sensação em termos de doença/saúde, e, se a ansiedade se desenvolve, demandam por tranqüilizantes.

Ocasionalmente, sessões planejadas com doentes terminam com o sujeito pedindo para ver um médico. A rebelião contra a convenção deve motivar algumas pessoas que usam a droga. A idéia ingênua de fazer algo “longínquo e externo” ou vagamente impróprio pode obscurecer a experiência.


Desligue sua Mente

O LSD oferece vastas possibilidades para o aprendizado acelerado e pesquisa científico-escolar, mas para sessões iniciais as reações intelectuais podem se tornar armadilhas. “Desligar a sua mente” é o melhor conselho para noviços. Depois de você ter aprendido a como mover a sua consciência de um lado a outro — dentro e fora da perda do ego, à vontade — então exercícios intelectuais podem ser incorporados à sua experiência psicodélica. O objetivo é o de te libertar da mente verbal o quanto for possível.
As expectativas religiosas chamam ao mesmo conselho. Novamente, o sujeito nas primeiras sessões é aconselhado a flutuar na corrente, se manter “ascendente” até o possível e a adiar interpretações teológicas.

Expectativas recreacionais e estéticas são naturais. A experiência psicodélica provém momentos extasiantes que diminuem qualquer jogo cultural ou pessoal. A sensação pura pode capturar a percepção. A intimidade interpessoal

atinge alturas do Himalaia. Deleites estéticos — musicais, artísticos, botânicos, naturais — são elevados ao poder milionésimo. Mas reações de jogos de ego — “Estou tendo este ecstasy, Que sorte eu tenho!” — podem impedir o sujeito de atingir a perda pura do ego.


Organizando

O sujeito deve reservar pelo menos 3 dias — um dia antes de sua experiência, o dia da sessão e um dia seguinte. Essa organização garante a redução da pressão externa e um comprometimento mais sóbrio. Falar com pessoas que já fizeram a viagem é uma ótima preparação, contudo a qualidade alucinatória de todas as descrições deve ser reconhecida.
O dia depois da sessão deve ser reservado para deixar a experiência correr em seu curso natural e permitir um tempo para reflexão e meditação. Um retorno apressado a envolvimentos com os “jogos” com certeza irão manchar a claridade

e reduzir o potencial para o aprendizado. É muito útil para um grupo permanecer junto depois da sessão para dividir e trocar experiências.

Observe uma Sessão


Observar uma sessão é outra preliminar muito válida, ler livros sobre a experiência mística e de outras experiências também é uma possibilidade. Aldous Huxley, Alan Watts e Gordon Wasson escreveram ótimos contos, por exemplo.

Meditação

A meditação é provavelmente a melhor preparação. Aqueles que gastaram tempo na tentativa solitária de controlar a mente, de eliminar o pensamento e atingir altos estágios de concentração são os melhores candidatos para uma sessão psicodélica. Quando a perda do ego ocorre, eles reconhecem o processo como um ansioso e esperado fim.
Ambiente


Primeiro e mais importante: provenha um ambiente removido dos usuais jogos interpessoais, e o mais livre possível de distrações e intromissões inesperadas. O viajante deve ter certeza de que ele(a) não será perturbado; visitantes ou ligações telefônicas vão freqüentemente produzir um choque na atividade alucinatória. Confiança no que está em sua volta e, privacidade são necessárias.

Hora do Dia

Muitas pessoas sentem-se mais confortáveis na noite, e conseqüentemente suas experiências são mais profundas e ricas. A pessoa deve escolher a hora do dia que parece correta. Mais tarde, ele(a) deve desejar vivenciar a diferença entre sessões noturnas e diurnas. De maneira similar, jardins, praias, florestas e locais abertos em geral têm influências específicas que a pessoa pode ou não desejar. O essencial é sentir-se o mais confortável possível, ainda que no quarto de alguém ou sob o céu noturno.
Imediações familiares podem ajudar a pessoa a sentir-se confiante nos períodos alucinatórios. Se a sessão for ministrada “indoors”, a música, iluminação, a disponibilidade de comida e bebida deve ser considerada antes. A maioria das pessoas reporta não sentir fome durante a altura da experiência, e logo após preferem comidas simples como comida, queijo, vinho e frutas frescas. Os sentidos estão bem abertos e o sabor e cheiro de uma laranja fresca são inesquecíveis.


Viagens em Grupo

Em sessões em grupo, as pessoas normalmente não vão sentir vontade de andar ou se mover muito por longos períodos, e ainda camas e/ou esteiras devem ser providas. Uma sugestão é colocar as cabeças das camas juntas numa forma
de estrela. Talvez uma pessoa queira colocar algumas camas juntas e manter uma ou outra a alguma distância a partir de alguma outra pessoa que deseje permanecer de lado por um tempo. A disponibilidade de um quarto extra é desejável para alguém que queira estar em isolamento.



O Guia Psicodélico

Com a mente cognitiva suspensa, o sujeito está em um estado altíssimo de sugestionabilidade. Para sessões iniciais, o guia possui um enorme poder para mover a consciência com a reação ou gesto mais delicados.
A chave aqui é a habilidade do guia para desligar seu próprio ego e jogos sociais, necessidades de poder, e medos — para estar lá, relaxado, sólido, aceitando, seguro, para sentir tudo ou não fazer nada exceto deixar o sujeito saber sua prudente presença.

Uma sessão psicodélica dura mais de doze horas e produz momentos de reatividade intensos. O guia nunca deve estar entediado, ser falador, “intelectualizante”. Ele(a) deve permanecer calmo por longos períodos de mente vazia. O guia é o controlador do chão, sempre lá para receber mensagens e questões das aeronaves extra-espaciais, pronto para ajudar a navegação para seu curso de atingimento do destino.

O guia não pode impor seus próprios jogos ao viajante. Pilotos que tem planos de vôo diferentes — seus próprios objetivos — são reanimados a saber que um “expert” está lá embaixo, disponível para ajuda. Mas se o controle do chão é chato e fechado em seus próprios motivos, manipulando o avião entre seus objetivos egoístas, o laço de confiança e segurança esmigalha-se.


Ética

Administrar psicodélicos sem experiência pessoal é anti-ético e perigoso.
Nossos estudos concluíram que quase toda reação negativa ao LSD foi causada pelo medo do guia, que aumentou o medo transiente do sujeito. Quando o guia age para se proteger, ele(a) comunica seu próprio interesse. Se o desconforto momentâneo ou confusão acontecerem, os outros presentes não devem ser compreensivos ou mostrarem alarde, mas ficarem calmos e reprimir seus “jogos de ajuda”. Em particular, o papel de “doutor” deve ser evitado.


O guia deve permanecer passivamente sensitivo e intuitivamente relaxado por muitas horas — um acordo difícil para a maioria dos ocidentais. A maneira mais correta de manter um estado de quietude alerta, contrabalanceado em uma flexibilidade pronta, é o guia tomar uma baixa dose do psicoativo com o sujeito. O procedimento de rotina é ter uma pessoa treinada participando da experiência, e um membro do pessoal presente sem assistência psicodélica. O conhecimento que um guia experiente está “avançado” e mantendo a companhia do sujeito é de valor inestimável—a segurança de um piloto treinado voando na ponta da sua asa; a segurança do mergulhador na presença de uma companhia “expert”.

Timothy Leary

leia também:

A Experiência Psicodélica - Um manual baseado no Livro Tibetano dos Mortos

4 de jan de 2009

A Alquimia Interior Taoísta - Mantak Chia


Esta antiga reprodução ilustrando o método de alquimia interna foi provavelmente originariamente desenhada por um Taoísta altamente empreendedor do período da Dinastia Tang da China (7o. século C.E.). Este foi um período áureo da alquimia interna, com muitas escolas Taoístas e Chan Budistas (a mistura de ensinamentos Tao-Budistas conhecida depois como “Zen” no Japão), e mosteiros que recebiam apoio imperial. Muitas dinastias depois, ela foi descoberta por um adepto Taoísta que adicionou esta inscrição no final do mapa:
“O mapa original foi encontrado pendurado numa biblioteca nas Altas Montanhas de Pinheiros onde permaneceu escondida das vistas do público por muitas centenas de anos. Talvez o diagrama do mundo interior escondido dentro do nosso próprio corpo fosse muito profundo para ser compreendido pelo mundo exterior. O mapa original foi claramente desenhado e impresso, então foi facilmente reimpresso depois que a sua importância foi percebida. Quando eu o vi pela primeira vez, eu decidi que era muito precioso para não ser compartilhado com todo mundo. Então eu modestamente ofereço para o mundo esse espírito”.

Sun Tun


No mesmo espírito dos alquimistas interiores que viviam na antiga China, o Healing Tao (Tao da Cura) novamente oferece este mapa para o público. Só agora nós decodificamos seus estranhos símbolos de tal forma que as pessoas possam compreender a misteriosa relação entre seu corpo, a natureza e o universo.
O Taoísmo antigo via o corpo humano como um microcosmo do mundo natural. Nossa anatomia física é uma paisagem interior com muitos rios, florestas e montanhas e lagos que refletem sua harmonia com a paisagem externa do planeta terra. Você pode ver o contorno da espinha subindo para os picos espirituais dentro da cabeça e cérebro.

O desenho se refere aos meridianos da órbita microcósmica (o pequeno círculo celestial). Esta circulação da corrente morna que é a parte central da alquimia Taoísta. O verdadeiro propósito da alquimia é o desenvolvimento interior, purificação e transmutação dos nossos órgãos vitais e da nossa energia sexual.


O Contorno do desenho

A energia sexual é o principal ingrediente da Alquimia Interior. A chave para esta ilustração é o mar de água (1) (rio de energia sexual) que flui corrente abaixo. Ser capaz de fazer a água (energia sexual) fluir rio acima é o inicio da Alquimia Interior, a mais alta prática espiritual.
O menino e a menina (2) localizados no períneo (CV-1) referem-se aos testículos e ovário, ou os olhos esquerdo e direito. Quando nos sentimos sexualmente provocados ou sentimos orgasmo e podemos simultaneamente nos tornarmos conscientes de um sentimento de amor, nós podemos iniciar o processo de alquimia interior. Através do uso da nossa mente e coração juntamente com o rolar dos nossos olhos para mover a energia do nosso orgasmo sexual, podemos começar a misturar as energias do sexo e amor e mudar as suas propriedades até que elas se tornem “light” e comecem a fluir para o primeiro portão. Este portão, conforme é explicado no texto, fica no leste na ponta do (3) cóccix, ou o portão da cauda. Este centro é um ponto de reunião entre ambos os rins. Este é o primeiro degrau em uma escada (GV-1) que sobe para as alturas celestiais. Não importa quanto estímulo sexual ou orgasmo tenhamos – referidos no texto como um lago com a profundidade de dez mil braças – este método vai transformá-la e bombeá-la para acima.

· O próximo centro é o (4) hiato sacral (GV-2) apresentado como uma longa laje de rocha com oito buracos. Eles são também conhecidos como as cavernas imortais, que são capazes de receber as energias do coração e misturá-las com as energias sexuais.

· A energia então sobe para a (5) Casa dos Dois Rins, (CV-4).

· Este processo alquímico começa a partir do baixo abdômen na área do umbigo (Baixo Tan Tien) como um (6) caldeirão queimando com fogo. As chamas estão cozinhando e transformando a energia sexual.

· Os quatro símbolos yin e yang (7) dentro de um círculo estão mudando a força vital e energia sexual que foi acumulada a partir do caldeirão que queima no Baixo Tan Tien. Os quatro símbolos yin/yang também representam os 8 Trigramas do I Ching e se movimentam em harmonia para manifestar o corpo físico. A área é também conhecida como o Verdadeiro Tan Tien (9). Isto é experimentado como uma sensação morna, luminosa, radiante em forma tanto de vórtice como centrífuga conhecida como Chi.

· O Búfalo (8) corresponde à energia da terra e teimosia. O Menino do arado (8) significa a necessidade de cultivar o eu interior antes que a semente (o Feto Imortal) possa ser plantada e seus frutos possam ser colhidos ou a moeda de ouro possa ser cunhada. A terra (terra baço-amarela) é o solo central do nosso ser e a fonte da nutrição fundamental.

· O Verdadeiro Tan Tien (9) fica abaixo dos rins em frente da medula espinhal. Quando você se concentra no ponto certo, você vai sentir o Chi se formar e correr para a coroa.

· A donzela que fia (10) representada pelo rim direito é yin e é a água genuína que acumula o yang interior atraindo o yang ativo.

· A energia sobe através das vértebras rochosas para o centro na (11) 11ª Torácica (GV-6) no meio da espinha, que é o ponto entre as supra-renais.

· A energia sobe para o próximo centro (12) 5ª Torácica (GV-11), que é o caminho do espírito na torre ao mesmo nível do coração. Este é visto como um ponto privilegiado a partir do qual o nosso espírito pode investigar nossa jornada antes de ir para o Caminho do Espírito Superior.

· Conforme nós subimos através das vértebras rochosas, chegamos na (13) 7ª Cervical (GV-14), o Grande Martelo, onde todos os meridianos yang estão unidos.

· O próximo portão está na Base do Crânio (14), a Almofada de Jade (GV-16).

· Então a energia flui acima para a cabeça, e finalmente através da coroa, onde ela se conecta com o Mar da Medula do Cérebro.

· A energia se move para o topo da cabeça onde os (16, 17, 18, 19, 20) Nove Picos da Montanha e as Cavernas estão localizados. Esta é a Montanha Kum Lum, que é um dos locais sagrados no Tao. É a Terra da Imortalidade. Esses picos se conectam com os pontos da coroa, que têm uma ligação estreita com a Força Universal.

· O Pico do Reino Imortal junto com a Pérola (21) acima dele representam a essência da força vital e energia sexual transmutada em energia espiritual e de sabedoria. O propósito dessa transmutação é religar o Eu Superior, representado pela Pérola, com o Espírito.

· O Homem Sábio (22) Lao Tzu está sentado na cavidade original do nosso espírito no Meio das Sobrancelhas (GV-24) no Salão do Espírito do Pátio.

· Bodhidharma, o fundador do Zen Budismo na China, é o homem levantando suas mãos (23) para conectá-las à Energia Celestial.

· Os dois círculos (24) são os olhos, que são o menino e a menina pisando na roda d´água para mover a energia em nosso corpo.

· Os lados das faixas de arco-íris (25, 26) representam os meridianos do Governador e da Concepção encontrando-se nos seus pontos de saída. As cinco linhas em cada lado mostram que eles carregam as cinco energias predominantemente yang e yin dos órgãos.

· Quando nós tocamos a Língua (Ponte Levadiça) no palato superior, esses dois meridianos se conectam e completam o circuito do Chi.

· O doce néctar ou elixir escorre do Tanque de Orvalho (28), que dá nutrição interior para o cérebro dentro da Piscina da Boca (GV-28), chamada Cruzamento da Boca. Neste ponto (CV-24) nós recebemos o fluido que forma a Piscina Celestial (30).

· O fluir do néctar e Chi continua garganta abaixo (31) pelo Pagode de Doze Andares (CV-22) ou o “Céu Transbordante”.

· A torrente de néctar flui dentro das Bolas Flamejantes de Fogo no pericárdio, que ajuda a esfriar e irrigar o coração.

· No centro do coração está a Espiral de Grãos de Arroz (33), que é um dos doze símbolos usados na decoração imperial. Os grãos de arroz simbolizam a abundância. Um grãozinho de arroz contém o universo completo dentro de si.

· O Divino Pastor (34) coloca as estrelas na Grande Concha. Isso fornece um guia para ambas as estações e a localização da Estrela Polar. Isso também ajuda a coletar a força astral, que nós aprendemos a juntar.

· A Via Láctea (35) ajuda a fazer a conexão entre o coração e os rins, harmonizando as forças da água e fogo.

· O Espírito do Pulmão (36) (Hwa Hao) encontra plenitude no espaço vazio, então a função do pulmão é completada.

· O Plexo Solar (37) é conhecido como o Tan Tien do Meio.

· Nós descemos para o Anel Exterior da Floresta (38) representando a borda da caixa torácica.

· A Floresta das Árvores (39) conecta ao fígado, o elemento terra.

· O Espírito da Vesícula Biliar” (39a) (Lung Hau) é chamado o majestoso e brilhante espírito.

· O Espírito do Baço (39b) (Chaeng Tsai) é chamado o pavilhão da alma

· A energia finalmente desce de volta ao Baixo Tan Tien, que inclui o Menino Arando com o Búfalo (40), o Caldeirão que Queima (6) e o movimento das Quatro Bolas Yin e Yang (Tai Chi). O fluxo do Chi (Força Vital) viaja abaixo de volta ao Mar de Água (1) para fazer um círculo completo. Cada vez que o Chi flui abaixo de volta, ele se torna mais refinado. Quando nós o bombeamos para acima repetidamente, continuamos a refinar a energia mais ainda. Dessa forma, ativamos um processo natural de reciclagem de energia, que nos fornece um suprimento interminável de Força Vital.


Mestre Mantak Chia


EXPLICAÇÃO DETALHADA

(1) “INVERTA O FLUXO DE ÁGUA” é a nossa energia sexual que sempre flui para baixo. Nós temos de aprender a inverter o fluxo. A energia sexual é a força mais vital que os humanos herdaram de seus pais. Nós necessitamos dessa energia (força do orgasmo) para desempenhar a nossa vida a cada dia. Essa energia sexual é como a água que tende a correr para baixo e para fora. A cada dia nós perdemos essa força através do desejo sexual, ganância ou materialismo desnecessário. Nós precisamos inverter o fluxo da energia sexual e bombeá-la acima para a coroa usando as práticas do Tao da Cura da Respiração dos Testículos e Ovários, a Fechadura de Força e a Grande Puxada (??). Nós podemos puxar a energia através da espinha para preencher os três reservatórios de energia: o Baixo Tan Tien (rins e centros sexuais), o Médio Tan Tien (plexo solar e coração, o centro) e o Alto Tan Tien (sala do cérebro e cristal). Durante a passagem pela espinha para dentro do centro do cérebro, a energia sexual é transformada. Depois que o reservatório superior é preenchido, a energia flui para baixo pelo palato através da língua e abaixo através da garganta para alimentar, resfriar e irrigar o coração.

(2) “Mude a Roda d´Água Yin e Yang” é localizado no (2) períneo (CV-1). O menino e a menina representam os testículos e ovários, conectando os rins e os olhos. O menino e a menina estão trabalhando no moinho de água, bombeando-a (energia sexual) para cima passo a passo. Esse movimento para cima, que é relacionado com a respiração dos testículos e ovários, é o início da prática do Amor da Cura. Começando-se a rolar os olhos, descendo pela frente e subindo pelas costas, começamos a tomar consciência dos ovários ou testículos rolando juntos com eles. Ao mesmo tempo, nós experimentamos um sentimento de amor vindo do coração. Através desse processo, o mar de energia sexual no Baixo Tan Tien será transformado em uma força mais leve e mais sutil fluindo para cima através da espinha para rejuvenescer o cérebro, glândulas e órgãos.

(3) “Bombeie a água até ela subir” representa o mistério yin e yang (o menino e a menina, os testículos e os ovários, a mente e os olhos) continuamente girando a roda, que ativará as grandes bombas (o cóccix e o sacro) para fazer a água (excitação da energia sexual e orgasmo) subir para “o Leste”, o (3) cóccix (GV-1) . Mesmo em um ”lago de 10.000 metros de profundidade” (1) (Hui Yin), o lago de desejo sexual onde todas as energias yin se encontram no períneo, nós deveríamos penetrar até o fundo – nós poderíamos continuar a transformar essas energias até o nosso desejo sexual desaparecer. É do fundo desse lago que uma doce fonte flui para cima em direção ao topo das montanhas depois de passar através do (4) sacro (GV-2) a partir do períneo, subindo pela espinha para a coroa onde ela esguicha como um chafariz.

(4) “O HIATO SACRAL” é o sacro (GV-2), que tem os oito furos imortais conectados diretamente à energia da Força da Terra.

(5) “A CASA DOS DOIS RINS” (GV-4) é o Ming Men ou Porta da Vida; é também conhecida como porta de fogo – o portão através do qual a energia sexual deve passar para ser transformada. No Taoísmo nós dividimos os rins esquerdo e direito em yang e yin; o Ming Men está localizado entre a 2ª e 3ª Lombares, a meio caminho entre os dois rins. O rim direito, que é yin, é representado por uma donzela que fia, que acumula a essência da energia sexual (esperma e óvulo), assim como o yang interno que atrai o yang ativo conhecido como o portão da vida (Ming Men). O rim esquerdo, que é yang, é conhecido como o verdadeiro rim, o ativador da energia acumulada dos rins. É como uma lâmpada piloto, que ativa a combustão nas células do corpo. É freqüentemente citado como o fogo ministerial ou fogo genuíno, mas é diferente do fogo imperial do coração. Nós podemos vê-lo como uma chama irrompendo dos dois lados da espinha, ajudando a transformar a energia que sobe através do seu caminho.

(6) “O CALDEIRÃO QUE QUEIMA” é o caldeirão localizado primeiramente no abdômen (abaixo do Baixo Tan Tien, cerda de três polegadas abaixo do umbigo). Em práticas posteriores, ele se movimenta para cima para o coração (Tan Tien Médio) e finalmente para o cérebro (Alto Tan Tien). Podemos cozinhar as forças naturais das montanhas e rios, a força natural das estrelas, lua e sol, e as forças primordiais das partículas cósmicas- combinando-as dentro de nós e transformando-as em uma força superior para alimentar o FETO IMORTAL.

(7) “OS QUATRO TAI CHI”(os símbolos yin e yang) representam a força radiante que se move (Chi). Usando a mente, os olhos e a respiração abdominal, podemos mover a energia sexual acumulada para dentro do caldeirão e começar a cozinhá-la, transformando-a em vapor (Chi), que vai se irradiar através dos canais de todo o corpo para reparar e energizar as células. Os quatro símbolos yin e yang representando os oito trigramas do I Ching se movimentam em equilibrada harmonia para manifestar o plano físico.

(8) “O BÚFALO ARA A TERRA E PLANTA A MOEDA DE OURO” está localizado no Baixo Tan Tien perto do umbigo. Está conectado ao baço e, portanto, ao coração. O centro do baço é a semente do espírito da Força da Vida (Chi).Uma vez que somos capazes de inverter o fluxo da energia sexual, nós podemos irrigar a terra seca – permitindo-nos arar o solo e juntar o ouro para forjar a moeda de ouro da auto-cultivação. Um vez que a terra está pronta, a semente da longa vida e sabedoria (o Feto Imortal) pode ser plantado. Todas as plantas da terra (nossa alma, espírito, mente, órgãos e glândulas) necessitam da energia sexual para crescer. A criança que esculpe a pedra, nossa pura consciência, coleta as desordenadas partes da nossa essência, alma e espírito e as encadeia em um todo.

(9) “O VERDADEIRO TAN TIEN” ou o campo do elixir é localizado sobre o caldeirão que queima, em frente e abaixo dos rins bem atrás do umbigo, mas perto da espinha. Na mesma área dos quatro Tai Chi é onde acontece a primeira transformação alquímica.

(10) A “TECELÃ GIRA A SUA ROCA” é yin (rim direito e elemento água), e o Pastor de pé acima dela no nível do coração é yang. A Tecelã tem a capacidade de acumular energia yin sedosa e se interiorizar para manter a quietude. Ela tece roupas como de seda a partir do luar e das energias da Via Láctea. Essas energias são acumuladas e estocadas no Baixo Tan Tien usando a mente, olhos, coração e consciência interior com intenção para a respiração que é gentil, suave, longa e profunda. Essa espécie de respiração que é como fiar ou puxar seda, recolhe a Força Cósmica e a tece dentro de uma teia interna de chi ou rede. Os chineses dizem que o Pastor e a Tecelã foram amantes, mas eles negligenciaram suas obrigações e foram transformados em estrelas e colocados em pontos opostos do céu. Mas na noite do sétimo dia do sétimo mês de cada ano, num dia celebrado como o dia dos amantes, os pássaros (pegas) fazem uma ponte (a Via Láctea) através do céu para juntá-los. Do mesmo modo, nosso coração (espírito, fogo, fogo da compaixão, amor e destino) e nossos rins (natureza da terra, água, energia sexual e corpo físico) foram mantidos separados desde o dia em que nascemos. Somente se reunirmos a essência do coração (o fogo do amor e compaixão) e a essência do rim (energia sexual) podemos dar à luz e fazer crescer o FETO IMORTAL.

(11) O “ESPÍRITO DO RIM (HSUANG MING)”, também chamado de NUTRIR O EMBRIÃO, é a capacidade de os rins acumularem a energia de constituição ou herdada dos pais, fornecida à criança interior conforme ela se desenvolve espiritualmente.

(12) O “DENTRO DAS MUITAS OCULTAÇÕES A ENTRADA PARA O ÚNICO” , localizado oposto ao coração, tem uma estreita relação com ele e gera a Grande Aura que protege o coração e a coroa. Esse ponto é de onde nós podemos puxar o Chi para dentro do coração.

(13) “O GRANDE MARTELO, 7ª CERVICAL”, é o ponto (grande vértebra) oposto à garganta. Este ponto conecta as energias das regiões superior e inferior do corpo. Ele também serve como caixa de união dos nervos dos braços e pernas. Qualquer bloqueio deste centro restringe o fluxo de energias para os centros mais altos e redireciona-o para as mãos e pés.

(14) “ OPICO DA CAVERNA DO ESPÍRITO” é a Almofada de Jade, localizada entre a primeira cervical e a base do crânio. É conhecida como a Boca de Deus, o lugar onde podemos receber o Conhecimento Universal. Essa janela para o céu é vista como o portão para dentro do mar da medula do cérebro. Esse portão deve abrir e fechar apropriadamente se a energia tiver de passar suavemente através dele. O pequeno cérebro, que fica dentro da Almofada de Jade, ativa a energia yin que ajuda a equilibrar a energia yang do grande cérebro e serve como um armazenamento para a energia sexual refinada e a energia da Força da Terra.

(15) “O MAR DE MEDULA DO CÉREBRO” é conectado com a água sexual e o líquido espinhal (raquidiano). Quando um for drenado, o outro será afetado.

As áreas numeradas de 16 a 21 fazem parte de uma série de nove montanhas sagradas em picos. Esses picos de montanhas funcionam como funis que guiam a Energia Universal para baixo. Essa energia é então concentrada nas cavernas das montanhas. Os adeptos Taoístas vão para essas cavernas para iniciação. Na cabeça humana há também nove diferentes centros (picos ou pontos) que são capazes de se estender para o céu para fazer a conexão com o Cosmos. A cavidade da medula do cérebro, tanto quanto os vários centros de energia do corpo, são como essas cavernas em uma montanha nas quais você pode concentrar, armazenar e transformar energia.

(16) “O TOPO DO GRANDE PICO” está localizado na parte de trás da cabeça. Quando inclinamos a cabeça e empurramos o queixo para trás, a cabeça atinge o seu ponto mais alto. Esse pico conecta a Estrela Norte à Glândula Pineal. É onde nós recebemos a Energia Universal que desce.

(17) “O LUGAR ALTO DE MUITOS VÉUS” fica entre a Pílula de Barro e o Grande Pico. É onde os corpos do espírito e alma podem partir e entrar em vôo horizontal.

(18) “A PÍLULA DE BARRO” está localizada no centro da coroa (Bai Hui, ou o centésimo ponto de encontro). Quando ele está aberto, dá a sensação de barro macio. Esse ponto da coroa conecta a “Grande Concha” com a Glândula do Hipotálamo. É através desse centro, que funciona como uma via de mão dupla, que você pode projetar a sua energia (alma ou espírito) para cima ou receber a energia que flui para baixo.

(19) “A CASA DO YANG NASCENTE” é o terceiro olho. Localizado um pouco abaixo do meio da testa, este centro é capaz de receber as energias do sol e da lua, que ele usa para projetar os corpos da alma e espírito no espaço.

(20) “OS NOVE REINOS SAGRADOS” estão diretamente conectados ao meio das sobrancelhas e têm uma estreita conexão com a Pituitária (Hipófise). Este centro é usado para receber a Força Cósmica e lançar os corpos da alma e espírito dentro do plano humano ou terrestre para viajar.

(21) “O REINO IMORTAL” é localizado no centro bem em frente do ponto da coroa. É aqui que a nossa energia é capaz de fazer uma conexão com os céus para puxar para baixo mais ainda das poderosas Energias Universais.

(22) “LAO TSE (UM DOS FUNDADORES DO TAOÍSMO)” é a figura sentada de um velho homem grisalho com sobrancelhas atingindo o solo, onde se conectam com a energia da terra. Lao Tse nasceu velho, e as suas longas sobrancelhas enfatizam isso. Ele encarna aquele que está unido com aquilo que nunca morre – pura consciência. Sua natureza interna e externa está em completa harmonia e unidade com o Tao.

(23) “BODHIDHARMA ( O FUNDADOR DO ZEN BUDISMO NA CHINA)” é a figura de pé de olhos azuis levantando suas mãos para conectar diretamente com a Energia Celestial.


As energias de Bodhidharma são misturadas com as de Lao Tse para formar uma nova compreensão Taoísta, que é a prática do moderno Taoísmo – O HEALING TAO SYSTEM (sistema Tao da Cura). Este sistema representa a mistura e a harmonização do nosso Destino Celestial com nossa Natureza Terrestre.

(24) “OS DOIS CÍRCULOS REPRESENTANDO O SOL E A LUA DENTRO DE NÓS” são os olhos esquerdo e direito. Através do aprendizado de rolar os olhos num movimento circular, essas energias, junto com nossa energia sexual, vão subir para a coroa. Quando rolamos os olhos para baixo olhando em direção ao Baixo Tan Tien, essas energias misturadas se movem para baixo para os nossos centros inferiores de energia, onde podem ser acumuladas.

(25) “O MERIDIANO GOVERNADOR” começa no períneo, vai até a cabeça através da espinha e então para baixo para o palato.

(26) “O MERIDIANO DA CONCEPÇÃO” começa na mandíbula inferior e desce pela frente do corpo até o períneo.

(27) “A PONTE LEVADIÇA” é a língua, e a PISCINA DE ÁGUA é a boca, que mantém a saliva. Na prática Taoísta, quando você toca o palato com a língua ( a Fonte da Saliva que Sobe, conhecida como a Piscina Celestial, você conecta o circuito entre o Canal Governador (yang) e o Canal da Concepção (yin). Uma vez que a língua toca o palato, o Chi é ativado. A energia sexual é bombeada para cima para o cérebro, ativando as glândulas hipotálamo, hipófise e timo, que começam a secretar mais hormônios. A energia sexual, especialmente a energia do orgasmo, vai ajudar a recolher a Força Celestial de cima e a Força da Terra de baixo. Misturar essas duas energias com a sexual estimula a secreção de hormônios. Isso cria uma abundância de Chi e fluido. Esse fluido desce como uma cachoeira para o palato, depois para as costas do palato, a boca e a garganta (O Pagode de Doze Andares), onde somos capazes de engoli-la para baixo para preencher os outros dois Tan Tiens. Essa água é conhecida como Néctar, a Água da Vida, e o Elixir Dourado.

(28) “O TANQUE DE ORVALHO” é localizado atrás do palato mole e está conectado com a Hipófise. O VERDADEIRO PORTÃO SUPERIOR DE JADE é o portão de água perto da garganta, que conecta ao cérebro.

(29) “A PISCINA DA BOCA” (GV-28) é chamada o Cruzamento da Boca, que contém o elixir que desce da Hipófise. Esse elixir pode misturar com a Energia Cósmica inalada através da respiração.

(30) “A PISCINA CELESTIAL”(Hsuan Ying) é a FONTE DA SALIVA QUE SOBE, que conecta a língua ao palato com a saliva.

(31) “O PAGODE DE DOZE ANDARES”, ou torre de doze andares, é o centro da garganta (CV-22). Durante a sua passagem para cima através da espinha para o cérebro, a energia sexual é transformada. Conforme continua para baixo a partir da PONTE LEVADIÇA, essa energia transformada flui através da garganta para nutrir o coração.

(32) “AS BOLAS FLAMEJANTES DE FOGO” estão localizadas no pericárdio. “EU CULTIVO MEU PRÓPRIO CAMPO DE ENERGIA (Médio Tan Tien ou Campo do Elixir)” significa que eu cultivo as minhas próprias virtudes – meu amor, compaixão e benevolência. Dentro desse campo há um broto mágico ( o Feto Imortal, ou o espírito não nascido) que “vive 10.000 anos”. A cor de suas flores – flores que representam a abertura da consciência e sabedoria – assemelham-se ao ouro. Essas flores nunca murcham. As sementes desse broto mágico são como seixos de Jade. Seus frutos são redondos. Para cultivá-las, eu me enraízo na terra do meio do palácio (o plexo solar). Para regá-las, inverto a energia sexual de forma que ela flua para cima para a coroa. O texto diz: “Depois de muitos anos, eu atinjo o Grande Tao e vagueio livremente pela terra; eu sou um Imortal da estória de Peng Lai (O Alto Plano Astral).

(33) “A ESPIRAL DE GRÃOS DE ARROZ” representa o grande mistério – o mundo em um grão de areia, o microcosmo do organismo humano refletindo o macrocosmo do universo. Uma vez que nós aprendermos a compreender e controlar a nossa mente e a nós mesmos, compreenderemos os mistérios e leis do universo. A lei do céu é chamada destino, e a lei da terra é chamada natureza.. A harmonia entre destino e natureza é o Tao, o Grande Caminho. Aqueles que seguem o Tao preenchem o seu destino espiritual e aproveitam o fruto da natureza terrestre. O caminho Taoísta da Vida é para canalizar as energias do céu e da terra enquanto mistura e harmoniza essas energias com a energia humana para cultivar e conservar a Força Vital dos nossos corpos. Forças celestiais se manifestam como energias celestiais cujo poder aparece para nós como pensamentos, tomada de consciência, fado e destino. Alguns sistemas e religiões separam céu e terra e fazem-nos escolher entre eles, enquanto o Tao da Cura é a prática de conectar e harmonizar o céu (destino) e terra (natureza) em nosso ser.

(34) “O MENINO PASTOR CONECTA AS ESTRELAS” simboliza os elementos yang do coração – o fogo do amor e o fogo da compaixão. O pastor parece uma criança, que nós chamamos de coração yang ou ESPÍRITO YANG (TAN YUAN) Ele é também chamado de ESPÍRITO GUARDIÃO. Tanto a Bíblia Cristã como os antigos textos Taoístas referem-se a essa transformação como “tornar-se criança novamente” – o símbolo da sabedoria, inocência e simplicidade espirituais. Projetando-se da coroa do Pastor, você encontra a Grande Concha, a busca do coração para encontrar harmonia com o Cosmos. Os Taoístas referem-se à Grande Concha como o cronômetro cósmico. Durante o decorrer do ano, a Grande Concha faz uma rotação de 360 graus, apontando para todas as estrelas que coletam a Força Universal na taça da Grande Concha. Se soubermos como fazer a conexão com a Grande Concha, nós podemos facilmente juntar a Força Astral para a nossa própria transformação.

(35) “A VIA LÁCTEA” é a ponte feita de pegas, pássaros que conectam o Pastor (o coração, o fogo do amor) à Donzela que Fia (os rins, a água da energia sexual).

(36) “O ESPÍRITO DO PULMÃO (HWA HAO) VERIFICA QUE A PLENITUDE NO VAZIO ESTÁ COMPLETA” é o poder e a habilidade dos pulmões de se esvaziarem a si mesmos, para poderem receber mais. Cada inalação e exalação do nosso corpo é a respiração do universo se expandindo e contraindo

(37) “O PLEXO SOLAR” é também chamado o Médio Tan Tien

(38) “O ANEL EXTERNO DA FLORESTA” representa a extremidade da caixa torácica, onde o diafragma está ancorado.

(39) “O ESPÍRITO DO FÍGADO (LUNG YEN) também chamado de SABEDORIA CRESCENTE”, é a conexão da floresta de árvores com o fígado (elemento madeira), o maior órgão do corpo. No Taoísmo nos referimos ao fígado como o controlador do Chi e do sangue. Muito Chi num lugar causa estagnação e congestão, e muito pouco pode causar fraqueza e esgotamento. Ambas as condições são resultado de um desequilíbrio do fígado. A Donzela que Fia (rins), que recebe água da energia sexual, também faz água que ajuda a madeira (fígado) a crescer enquanto o fígado produz combustível para o fogo do coração. Os órgãos todos dependem um do outro.

(39a) “O ESPÍRITO DA VESÍCULA BILIAR (LUNG AU)”, também chamado MAJESTOSO E BRILHANTE, está localizado no meio do fígado.

(39b)”O ESPÍRITO DO BAÇO (CHAENG TSAI)” também chamado PAVILHÃO DA ALMA, é localizado na área do baço

(40) “O BAIXO TAN TIEN” inclui um (40) menino arando com um búfalo, o (6) caldeirão queimando, e o movimento das (7) quatro bolas yin e yang (Tai Chi)

A Alquimia Interior Taoísta - Mantak Chia


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