21 de abr de 2009

A verdade existe aqui e agora

Pergunta: Senhor, se você dissesse: nada é verdadeiro, tudo é relativo, eu concordaria com você. Mas você afirma que há uma verdade, uma realidade, o conhecimento perfeito, portanto pergunto: o que é isto e como você o conhece? O que me fará dizer: sim, o Maharaj está certo?

Maharaj: Você está se aferrando à necessidade de uma prova, um testemunho, uma autoridade. Você continua imaginando que a verdade necessita ser apontada e que digam a você: “olhe, aqui está a verdade”. Não é assim. A verdade não é o resultado de um esforço, o fim de um caminho. Está aqui e agora, no próprio anseio e em sua busca. Ela está mais próxima que o corpo e que a mente, mais perto que o sentido “eu sou”. Você não a vê porque olha para muito longe de si mesmo, para fora de seu ser mais íntimo. Você objetivou a verdade e insiste em sua provas e testes esteriotipados que só se aplicam à coisas e pensamentos.

P: Tudo o que eu posso comprovar do que você diz é que a verdade está além de mim e que não estou qualificado para falar sobre ela.

M: Não só está qualificado como você é a própria verdade. Apenas você confunde o falso com o verdadeiro.

P: Você parece dizer: não peça provas da verdade. Preocupe-se apenas com o falso.

M: A descoberta da verdade está no discernimento do falso. Você pode conhecer o que não é. O que é você apenas pode ser. O conhecimento é relativo ao conhecido. De certo modo ele é a contraparte da ignorância. Onde não há ignorância, onde está a necessidade de conhecimento? Por si mesmos nem ignorância nem conhecimento têm ser. Eles são apenas estados da mente, os quais novamente são apenas uma aparência de movimento na consciência, a qual é, em sua essência, imutável.

P: A verdade está dentro do âmbito da mente ou além?

M: Em nenhum dos dois, e em ambos. Não pode ser posta em palavras.

P: Isto é o que eu ouço todo o tempo o inexpressável (anirvachaniya). Isto não me faz mais sábio.

M: É verdade que, às vezes, esconde uma pura ignorância. A mente, pode operar com termos de sua própria fabricação, não pode simplesmente ir além de si mesma. Aquilo que não é sensório nem mental, e sem o qual, mesmo assim, não podem existir nem o sensório nem o mental, não pode estar contidos neles. Entenda que a mente tem seus limites; para ir além, você deve permitir o silêncio.

P: Podemos dizer que a ação é a prova da verdade? Ela pode não ser verbalizada, mas pode ser mostrada.

M: Nem ação nem inação. Ela está além de ambas.

P: Pode um homem dizer alguma vez: “Sim, isto é verdadeiro”? Ou está limitado a negar o falso? Em outras palavras, é a verdade pura negação? Ou chega um momento em que se torna afirmação?

M: A verdade não pode ser descrita, mas pode ser experimentada.

P: A experiência é subjetiva, não pode ser compartilhada. Suas experiências me deixam onde estou.

M: A verdade pode ser experimentada, mas não é uma mera experiência. Eu a conheço e posso transmiti-la, mas apenas se você está aberto a ela. Estar aberto significa não querer nada mais.

P: Estou cheio de desejos e temores. Significa que não sou elegível para a verdade?

M: A verdade não é uma recompensa por bom comportamento nem um prêmio por passar em alguns exames. Ela não pode ser produzida. É primária, é inata, a antiga origem de tudo que é. Você é elegível porque você é. Você não precisa merecer a verdade. Ela é sua. Apenas pare de afastar-se por perseguí-la. Permaneça imóvel, esteja tranqüilo.

Eu Sou Aquilo
Conversações com Nisargadatta Maharaj